Meditação Essencial (10')

Meditação Essencial a meu ver, e de acordo com toda a experiência adquirida, é aquela meditação que se considera a 'mãe' ou a 'base' de todas as directivas meditativas criadas.

Talvez o caminho, os passos que damos, na experimentação de várias abordagens e vários tipos de meditação,sejam na verdade parte do percurso que nos ajudará. a construir condições para a prática da verdadeira meditação - a original, a principal e a que realmente transforma o individuo.

É fundamental e prioritário caminhar com clareza e objectividade em tudo o que fazemos e criamos na vida - mais ainda no que diz respeito à construção do alicerce. 

A meditação em si é ausente de instruções ou referências da mente - é o vazio, a ausência e a presença do 'nada'. Quando realizamos meditações que envolvem orientações determinadas, movimentos, exercícios específicos para ocupar a mente, nada mais são do que estratégias para driblar a mente e criar condições para o resultado final, que é o encontro com a ausência de nós mesmos ou a presença do vazio permanente.

Não existe um programa 'ideal' ou um protocolo que devas seguir como modelo - isso tem sido o maior erro do ser humano, seguir o que para muitos funcionou como certo e criar os próprio percurso seguindo taxativamente o que funcionou para outros - tudo o que partilho contigo, tudo o que assimilas, comigo ou em outro local qualquer, é sempre para 'avivar' a tua memória original - não será para seguires à risca e tornares isso uma cópia do que funciona!

O que quero dizer com isto, é que, se por um lado precisas de orientações para dares os passos em direcção a ti mesmo, por outro lado e talvez em simultâneo, terás que prestar atenção à forma como o teu poder original criador se revela para que tu o possas possuir e manobrar!

A minha partilha, os exercícios que te proponho, são uma tentativa de te aproximar da tua verdade. No entanto, precisas ter humildade para reconhecer que, o facto de não conseguires alcançar a paz sozinho, precisas de um farol que te guie, mas em simultâneo, precisas ter em conta que esse farol já tem vida própria e que, tal como ele, tu também te poderás tornar outro farol, expandindo na sua luz, a mesma verdade e autenticidade que o farol que te guiou até ti!

Encontrarás vários exercícios que farão alusão à prática diária dos 10'.
Neste momento, e neste espaço em que lês, apenas quero que percebas o que é a meditação essencial, a verdadeira meditação e o que se pretende realmente alcançar com tudo isto!

1º Passo | Entender o Funcionamento da mente

A tua mente é como um computador - ela não sabe, nem identifica o que é certo ou errado, ela apenas processa o que lhe é dado para processar e ponto! Tão pouco sabe ou tem discernimento para identificar o que é real ou não - ela processa tudo de igual forma.

Por exemplo:
Se começares a imaginar que estás a mastigar um limão, se fechares os olhos e insistires nessa imaginação, começarás a salivar e as tua glândulas começarão a funcionar como se isso fosse real.

Quando tomamos consciência deste facto, percebemos quanto é fácil manobrar a mente - só precisamos dar-lhe a informação que desejamos, e está feito!

2º Passo | Não desejar nada mais do que o que é alcançado e vivido no momento

Na prática, deverás ter sempre uma postura desinteressada relativamente aos resultados. caso contrário não conseguirás entregar-te à verdadeira essência da meditação em si.
Cada momento dedicado à meditação deverá ser isolado dos demais momentos e visto como único! 

A tendência natural da mente, pelo seu funcionamento normal e por defeito, é estabelecer ligações e comparações a situações que refiram factores semelhantes, procurando assim encontrar um sentido para isso. Mas o objectivo principal em tudo isto, é ficarmos sempre à parte deste mecanismo que é robotizado (e ainda bem que assim é) e introduzirmos lentamente a informação e a experiência de que é possível espreitar o que fica antes de qualquer identificação ou significado.

3º Passo | Praticar, praticar, praticar 

Se entendermos que a mente está sempre a actuar - então percebemos a importância da repetição. Mesmo que não se alcance resultados 'visíveis' aos olhos da mente consciente, com toda certeza algo está a acontecer no interior, ao nível do subconsciente. Começar pelo principio básico é essencial - usar esta compreensão e inteligência.

A prática diária da paragem em si, dá indicações, por mais subtis que sejam, a todo o processamento consciente e subconsciente da existência, que mais tarde ou mais cedo se revelarão.


A prática em si 

Independentemente do teu conhecimento ou de experiências na área, podes fazer sempre, a título experimental, qualquer dos exercícios que te proponho, para que identifiques, proves, comproves e aproves o que poderá servir como 'primeiro' degrau nesta jornada - e estará sempre certo!

Princípios que deves ter sempre em conta:

» Na fase inicial, quando ainda estás a construir a condição 'disciplina/hábito', deverás escolher fazer sempre no mesmo local
» O local deverá ser o mais possível neutro de referências que te lembrem situações emocionais
» Deverás vestir-te confortavelmente, de forma a não teres frio nem calor
» Deverás ter as tuas necessidades básicas satisfeitas
» Telefones em silêncio ou desligados durante o exercício
» Na fase inicial, quando tiveres que marcar os 10', deverás ter um cronómetro à mão

O procedimento

Senta-te. Marca no cronómetro 10'. Fecha os olhos.
Deixa-te ir para dentro de ti, tentando manter sempre a postura de observador.
Observa a vida inteligente em ti - todas as células e orgãos internos sabem o que fazer a cada instante.
Observa a tua respiração natural e deixa-te levar pelo vai-e-vem dessa respiração que te trouxe até aqui.
Mantém sempre um sorriso tranquilo no rosto.

Numa primeira fase, fica-te apenas por aqui e permanece cada vez mais na observação da respiração e do pulsar do coração - só isso!

Quando tocar o cronómetro, deverás esticar o teu corpo espreguiçar-te, alongar-te e em quietude, abrir lentamente os olhos sorrindo e saíres para a tua vida normal.

Deverás fazer este exercício ao despertar e ao deitar.
Se o fizeres, irás notar diferenças em todo o teu ser.
Tal como te alimentas diariamente, a tua alma, a tua consciência, também precisam de se alimentar e a meditação, feita de manhã e à noite, é o alimento ideal.

Questões (que surgirão sempre): jcaeiro@live.com.pt

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